Textos

O sapato apertado.

Compartilhe:

Depois de muito tempo entendi algumas coisas.
Por exemplo: quando estamos na vida de alguém, não é para nos sentirmos como um sapato apertado.
Este tem que ser largo.
Agradável e com condição de dizer:
Que sapato bom.
É tão bom que não consigo trocá-lo.
Como tenho amor para doá-lo.
Não me machuca, não dá bolha e os dedos ficam tão confortáveis que sinto satisfação em estar com ele vez ou outra.
Assim é a vida da gente com os seres humanos.
Temos que ter o sabor de nos sentirmos bem ao estar com esta ou aquela pessoa.
Sentir que somos amados, naturalmente.
Pois, quando sentimos que o amor vem e dali a pouco ele nos dói, é porque algo está nos incomodando como o sapato apertado.
Amor é livre e saudável.
Não nos machuca.
E confiamos sem titubear.
Ele está ali para, vez ou outra, se mostrar e calçamos sem incomodar.
Seja o amor que for.
Como se você estivesse caminhando descalço numa noite quente e a brisa vem pelos pés descalços e libertos de qualquer amarradura.
Que ele venha sem críticas, dores e desamores.
Que seja simples e vivo como as flores.
Que renasça com sorrisos largos.
Que sejamos pobres de dinheiro e cheios de falas confortáveis e saudáveis.
Que seja algo tão natural que às vezes choramos de tanto rir.
Que o sapato apertado não alcance o coração.
Que ele se torne elástico ou tenha elasticidade por puro prazer.
Que seja eterno como cada amanhecer.
Agnes Koch

Comentários desativados em O sapato apertado.